quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poema Secundus

CAVALARIÇA

Onde encontrar a cavalariça em que deverei verter meus cântaros de amor se há tantas montanhas a atravessar?
Penei invernos, sonhei primaveras, escaldei verões; pedia às estrelas uma fagulha de sua paixão
Atirei a Tupã infindas flechas de oração, mas ainda assim são tantos os mares vespeiros a serenar
No Lácio deixei pedaços de mim mesmo e meu cavalo d'esperança 'inda dispara sem rédeas nas estradas daquele coração

Calar-te-ia a boca num longo beijo, se assim pudesse estancar tuas palavras conformistas
Traria a ti todos os palcos do mundo com seus melhores atores para que teus ouvidos não se entristecessem com o assombro da distância
Moveria os ventos ordenando a todas as flores adornassem teu corpo e perfumassem teus cabelos
De Mercúrio tomaria o cetro e do tempo seria senhor; assim, num gesto egoísta, fixaria para sempre os teus olhos nos meus
Mas, eis-me; gélido pelo frio da solidão, frágil ante o oceano da pérfida realidade.

Vem comigo, meu amor; apartai de teus algozes, sobe em minha sela e conhece, sem medos, meus caminhos.
Deixa explodir o peito num canto alto, mais alto do que poderia supor nossos bedéis
Canta, minha amada, canta aos ventos nossa paixão e encanta a alma deste poeta que tanto te ama.